domingo, março 03, 2013

Sorteio - R. Lousa Santos

1. Objetivos:
a) O “Evento, Sorteio – R. Lousa Santos” tem por objetivos divulgar as obras do escrito R. Lousa Santos “Filho”, “Fuga” e “Pais & Filhos” e premiar três leitores com uma obra do autor.

2. Único - O “Evento, Sorteio – R. Lousa Santos” vigorará da data 21 de Janeiro de 2013 até a data 15 de Junho de 2013;

3. Para participar:
a) “Participar” do evento, clicando em “participar” https://www.facebook.com/events/199996043478674/;
b) “Curtir” a página R. Lousa Santos: https://www.facebook.com/r.lousa, clicando em “Curtir”;
c) Indicar no “Evento, Sorteio – R. Lousa Santos” qual livro deseja concorrer, “Filho”, “Fuga” ou “Pais e Filhos”, apenas um livro;
d) “Convidar” no mínimo cinco amigos para participar do “Evento – R. Lousa Santos”;
e) Ter endereço no Brasil para receber o prêmio.

4. Sorteio e reclamação:
a) O Sorteio será realizado dia 15 de Junho de 2013 pelo site http://www.random.org/integers/ e será divulgado em seguida;
b) O número de cada participante será sua ordem na realização do Item 3. C);
c) A ordem do Sorteio será:
1º - Filho;
2º - Fuga;
3º - Pais & Filhos.
d) Os premiados terão até o dia 02 de Julho de 2013 para reclamarem o prêmio pelo o e-mail robsonlousa@hotmail.com, caso o prêmio não seja reclamado até a data limite será realizado um novo sorteio até que o prêmio seja devidamente entregue;
e) Os novos sorteados terão 15 (quinze) dias após a divulgação do novo sorteio para reclamarem o prêmio pelo e-mail robsonlousa@hotmail.com antes que ocorra um novo sorteio;
f) Os sorteados ao reclamarem os prêmios deverão informar o nome e o endereço no Brasil para recebimento do prêmio.

5. Desclassificação:
a) O concorrente será desclassificado caso:
i. Não cumpra o Item “3. Para participar:”;
ii. Não tenha endereço para recebimento do prêmio no Brasil;
iii. Indique mais de um livro para concorrer;
iv. Não reclame o prêmio até a data limite.

6. Disposições gerais:
a) Qualquer dúvida será sanada mediante pedido de esclarecimento na página “Evento – R. Lousa Santos”;
b) Qualquer alteração será comunicada na página “Evento – R. Lousa Santos”;
c) Não é de responsabilidade do autor qualquer extravio dos Correios ou informação errada fornecida pelo premiado.

7. Promoção:
Único - A todos que participaram do evento e se interessarem por comprar os livros, ganharão 15% (quinze por cento) de desconto no livro em que escolheu concorrer, e 10% (dez por cento) nos demais livros. Os interessados deverão entrar em contato pelo e-mail robsonlousa@hotmail.com. Promoção até dia 15 de Julho de 2013.

sábado, fevereiro 23, 2013

Sobre a notícia



Certa vez Sócrates disse um bom método para se utilizar antes de passar alguma notícia à frente, o Triplo Filtro, que consiste em filtrar o fato a passar à frente em três filtros: verdade, bondade e utilidade. O fato é verdadeiro? O fato trata-se de algo bom? O fato é útil?
O que acontece ao passar as notícias de jornais e telejornais que alcança milhares de espectadores e telespectadores diariamente? As notícias são verdadeiras? Muitas vezes, apesar da propaganda de “bem apuradas” as notícias são muitas vezes povoadas de inverdades, como certa vez Luiz Fernanda Veríssimo disse “às vezes, a única coisa verdadeira que aparece nos jornais é a data”, às vezes chegamos a nos deparar com datas duvidosas, erradas, que não coincidem com os nossos calendários. Portanto, não se pode afirmar que as notícias noticiadas passaram pelo primeiro filtro o da verdade.
As notícias geralmente são boas? Entra aqui o fato do que é bom, pode-se falar que “bondade” depende de cada pessoa e de cada cultura. Para Hitler, poderia ser algo bom deixar apenas a “raça” ariana dominar, porém para a maioria, senão todos, esse fato é algo ruim, pois trata-se de matar o outro. Então, considera-se o fato de “bom” ser um fato que não agrida a imagem do outro, ou seja, o fato do outro ser ou cometer algo que não seja considerado virtuoso para a maioria e algo ilegal. A maioria das notícias de jornais e telejornais é algo ruim, trata-se de assassinatos, roubos, chacinas, portanto, não se passa pelo segundo filtro, o filtro da bondade.
As notícias passam pelo filtro da utilidade? Agora é necessário colocar uma questão de relatividade. O medo é uma ferramenta utilizada pela elite para fazer com que “a sociedade esteja em ordem para que a elite obtenha progresso”. Se observar pelo ponto de vista da elite, as notícias são úteis, pois, geralmente, são notícias que causam pavor aos espectadores, porém, se observar pelo ponto de vista da maioria da sociedade, onde a quem a notícia é direcionada, a maioria das notícias não são úteis, pois, além do medo, aumenta assim a curiosidade geral fazendo com que surjam fatos falsos. A maioria das notícias não passa pelo terceiro filtro, o filtro da utilidade.
Portanto, não é conveniente se submeter à maioria das notícias que nos chegam até nós.

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Esse é apenas um exemplo de como a capa do meu livro "Vendo a Morte" pode ficar. Vendo a morte conta a história de Nícolas, um adolescente comum, que possue amigos como qualquer outro, dificuldades como qualquer outro, mas com algumas limitações, Nícolas possue deficiência visual, porém consegue ver aquilo que ninguém mais vê, a morte...

sábado, janeiro 28, 2012


                Suicida
 R. Lousa Santos

(Ded: Ao irmão de uma amiga)

Cresci e vivi de uma maneira normal, mas algo acontecia comigo. Era estranho, diferente, não consigo me interpretar. Não sou bom com as palavras, pelo menos para dizer o que eu sinto neste momento, não o sou. Não consigo dizer o que sinto, mas às vezes eu consegui, algum dia atrás eu consegui. Só que não consigo mais.
Conheci meu amigo quando entramos na faculdade, entramos no mesmo ano, passamos no mesmo vestibular, nós éramos os extremos. Eu passei em primeiro lugar, ele, passou em último. Nós fomos morar no mesmo apartamento, ele trabalhava meio período para conseguir pagar o aluguel e os materiais escolares, eu ganhara bolsa do governo para estudar, ou seja, eu não precisava trabalhar para pagar o apartamento.
Agora, vamos para o início!
Eu não o conhecia, mas sei o que aconteceu com ele.
Ele era bom, mas não conseguia saber que aquela bondade era pura ingenuidade, ingenuidade que eu nunca tive, eu sempre vi e sabia usar o que eu via a meu favor.
Um dia vi minha tia com um homem, os dois estavam se agarrando, se beijando, se pegando, ela não queria que ninguém soubesse daquele namoro e eu, como sempre, soube muito bem como me aproveitar da situação. Bons tempos aqueles. Ganhei muito com aquele segredo, só que acabou rápido, minha tia descobriu que ele a traía, por fim, acabou-se o meu tempo de vida mansa.
Mas deixemos de lado a minha infância, quer dizer, vou compará-la um pouco com a dele, meu amigo.
Enquanto eu comia patê, purê de tudo, caviar, bebia Coca Cola, Antártica ele comia farofa, nos dias que não ficava sem comida; bebia suco de limão e água que era fervida depois que ele a pegava no rio próximo à cidade.
Isso não importa!
Enquanto eu estudava no colégio particular, que sempre era elogiado por todos, ele estudava no decrépito colégio público. Sempre disse que o que os colégios públicos precisam é de professores doutores e que ganham um salário digno, que seja o suficiente para que eles não precisem trabalhar mais de dois turnos e usem o tempo livre para pesquisar e preparem uma aula atraente e que instiguem seus alunos a aprenderem.
Essa foi nossa infância, pelo menos um pouco dela.
A nossa adolescência não mudou muito.
Enquanto eu malhava na melhor academia da cidade, ele se exercitava nos imundos parques, em que havia um poluído córrego que, teoricamente, serviria para umedecer a cidade, mas servia apenas como depósito de mosquito da dengue. Não adiantava nada as imensas campanhas para acabar com os focos sendo que o maior deles era alimentado pela própria prefeitura.
Bem, nós passávamos um pelo outro durante festas públicas que eu ia com meus amigos, só que não nos sentíamos amigos, não éramos amigos. Não nos falávamos, éramos seres independentes, um vivia sem a necessidade do outros, nenhum se importava com o outro, mas essa situação mudou quando realmente nos falamos.
Chovia, naquele dia, como chove hoje, e eu estava atrasado para chegar à escola, não passava táxi nenhum, então eu resolvi ir para o ponto de ônibus ver se assim eu conseguiria chegar para assistir, pelo menos, a última aula. Lá estava ele. Ele também esperava o ônibus, mas não por estar atrasado e sim por que era o que fazia sempre, o transporte mais em conta, porém o mais desprezível. E, também como sempre, o ônibus estava atrasado.
Eu sentei-me ao lado dele.
— Para onde você vai? – Perguntei, para tentar puxar assunto, a viagem era longa.
— Vou para a escola no fim da cidade. E você?
— Eu?! Estou indo para a escola no centro.
— Ah…!
Sei que naquele momento ele deve ter pensado que eu não passava de um rico metido a besta – todas as escolas do centro são escolas particulares –, porém não sou assim, mesmo eu estudando em uma escola particular, mesmo tendo dinheiro para ter tudo o que quero, eu não era metido, e eu não me gabava do que tinha, ou do que os outros não tinham. Ao contrário, lutava pela igualdade, mesmo não dando tudo o que eu tinha para esse fim. Mas para a igualdade eu não precisaria dar tudo. Ou precisaria? Sei lá.
A igualdade não é a exclusão do milionário e do miserável, mas sim a inclusão total da classe média média, ou seja, a junção das classes altas, baixas, (mais baixas ainda), média baixa e média alta. Mas pouco… Nem sei mais o que eu estava pensando.
— Você vai prestar vestibular esse ano? – Eu perguntei, continuando o assunto, assim que perdi minha linha de raciocínio.
— Vou sim! Pretendo ser contador.
— Boa profissão! Mas acho que ser contador não seria uma boa profissão… para mim, é claro. Prefiro geografia.
— Também têm muitos números…
— Sim, mas não são os números que me incomodam, é o gosto pela pesquisa. Não gosto muito de economia.
— Ah, sim.
Naquele instante o ônibus já havia chegado ao meu ponto. Então eu me levantei e fui para a escola, caminhando o restante que faltava, lógico.
Aquela foi a primeira vez que nos encontramos. A vez seguinte que nós nos encontramos foi no dia do vestibular. Nós ficamos na mesma sala e, por coincidência, prestamos vestibular para a mesma cidade, onde fomos morar juntos, no mesmo prédio. Naquele dia nós não conversamos muito, nem mesmo trocamos uma palavra sequer.
No dia em que fui ver o resultado no local onde fiz a prova, nós nos encontramos novamente, pela terceira vez.
Sabe aqueles momentos em que se percebe que existem algumas pessoas que vão continuar a fazer parte de nossa vida? Bem, foi aí que eu percebi.
Eu me aproximei dele. Ele estava debaixo que uma árvore, e, quando eu me aproximava, um pequeno cisco caiu em meu olho, era irritante, mas eu não conseguia tirá-lo, nunca consegui. Um simples cisco mudará minha vida.
— E aí, passou?
— Sim, passei, em último lugar. – Disse ele tristemente. – E você?
— Eu também – Disse como quem não se importava em que posição havia saído. Eu saí em primeiro, como já disse. – Vamos sair para comemorar?
Ele pensou por um instante.
— Vamos, né!
Se não fosse aquele cisco o dia teria sido perfeito.
Logo percebi que ele era tímido e não gostava de se soltar, ou seja, totalmente ao contrário de mim, que gostava de esbanjar a alegria que eu sentia, e eu abusei. Diverti o suficiente para um mês inteiro. Quando o dia já estava amanhecendo eu voltei para a minha casa e desmaie em minha cama com colchão ortobox, e ele, meu amigo, voltou para o seu barraco e caiu duro na cama com colchão de palha, nem tanto, mas quase.
Naquela época ele já trabalhava, mas não se dava ao luxo de comprar uma boa cama. Ele guardava o dinheiro para ir morar fora, agora que sabia que iria ir estudar em outra cidade, em outro mundo, em outra economia. Onde as responsabilidades iriam cair totalmente em seus ombros. Eu, claro, não me importava com isso, pois eu havia recebido a proposta de receber uma bolsa integral do governo, que aceitei imediatamente, óbvio.
Como o governo iria pagar uma bolsa para mim, eu tive que seguir suas propostas e ir morar no apartamento indicado, e, para minha surpresa, ele foi morar no mesmo prédio que eu.
Eu descobri que éramos vizinhos no primeiro dia de aula. Era no período matutino e eu já estava atrasado, oh vida, uma verdadeira corrida contra o tempo. Quando fechava a porta de meu apartamento eu o vi fechando a do dele.
— Você aqui? – Perguntei.
— Sim! Você também?
Não!
— Olha que coincidência…
Ele estudava no período noturno, mas tinha que trabalhar para conseguir pagar os estudos. Às vezes ele precisou de ajuda, o dinheiro não deu para suprir todas as dívidas, mas eu o ajudei nessas dificuldades. O espírito da igualdade no ar. Ajuda aos necessitados.
No primeiro semestre de aulas, ele me disse que queria desistir. Dizia que estava cansado, não estava conseguindo conciliar os estudos com o trabalho, as dívidas o deixava estressado, então fiz-lhe uma proposta e ele aceitou.
Fiz um pedido para a administração da universidade, que entrou em contato com o governo. Eles me autorizaram a dividir o apê com meu amigo. Assim ficava mais fácil para ele, dividindo o aluguel.
Assim que ele mudou para morar comigo nós saíamos todas as noites para a balada, assim que ele chegava da universidade.
Na festa ele ficava sentando olhando de um lado para o outro, sem falar com ninguém, tampouco bebendo ou dançando. Em cada intervalo de uma música para outra eu ia até onde ele estava.
— Vamos, cara! Temos que nos divertir.
— Não tenho coragem, acho que sou tímido.
Ele disse que achava.
Eu bato em suas costas.
— Deixe disso.
Eu ia até o bar e pegava dois drinques, um para ele e um para mim. Quando cheguei perto dele, vi que ele não havia se movido. Coloquei a bebida na mão dele.
— Beba um pouco. Você vai se sentir melhor.
Depois que terminei minha bebida vi uma garota sentada no bar, sozinha. Era a deixa para eu me aproximar. Deixei-o quieto com a bebida na mão e fui me esbaldar.
Depois de algumas danças, alguns beijos, algumas bebidas eu voltei para onde meu amigo deveria estar, pois ele não estava ali. O barman, assim que perguntei se ele o havia visto, respondeu:
— Acho que ele não está acostumado com muita bebida. Ele bebeu alguns drinques e… Sei não, mas parece que passou mal. Ele foi para o banheiro. – Apontou.
— Obrigado!
Segui em direção ao banheiro. Ele estava lá, num Box, vomitando.
— O que aconteceu?
Ele secou a boca com as costas da mão e olhou para mim, sorrindo:
— Aquilo é muito bom, é o…
Ele virou-se rapidamente para o vaso sanitário para continuar a vomitar. Depois olhou sorrindo para mim.
— Quero mais! – E riu, movimentando as mãos sem saber onde colocá-las.
Meu amigo veio em minha direção, cambaleando. Se não tivesse se encostado a mim teria caído no chão imundo do banheiro.
— Você compra mais para mim?
Ele havia bebido demais.
— Não, não. Não vou comprar mais nada. Acho que vai ser melhor irmos para casa.
— Que é isso? – Disse ele, cuspindo em mim e sorrindo ao mesmo tempo. Estava completamente bêbado. O hálito comprovava o que eu dizia. – Eu quero mais um gole, só mais um golinho assim – Juntou o polegar com o indicador –. Por favor!
— Vamos embora. Amanhã teremos que acordar cedo. Vamos embora.
Ele se soltou de mim e ajoelhou aos meus pés. Juntando as mãos como se fosse fazer uma oração:
— Por favor – riu –. Só mais um gole.
— Não! – Disse incisivo.
Peguei-o pelo braço e o arrastei para fora da boate. Sabia que muitas pessoas olhavam para mim, e, principalmente, para o escândalo que meu amigo fazia.
Quando parei para pagar nossa conta ele quase pulou em cima do balcão exigindo que o barman desse um “golinho” para ele. Não autorizei.
Assim que chegamos ao apartamento ele começou a chorar feito criança mimada, fazendo birra para não sair da piscina. Ele não falou nada comigo, simplesmente foi para o quarto e dormiu. Eu fiz o mesmo.
Quando acordei, ele ainda dormia, tive que acordá-lo.
— AI! – Gritou ele assim que o gritei, colocou logo a mão sobre a cabeça. – O que aconteceu?!
— Acho que você não está acostumado a beber de mais, só isso.
— Ah, lembrei. Ai, ai! Como eu pude fazer aquilo? – Parecia que ele estava vendo um filme gravado quando ele ainda era criança.
— É a pinga, a danada da pinga, meu amigo!
— Dói, minha cabeça dói.
— Deve doer mesmo. Parecia que nunca havia ouvido falar em álcool. Mas levanta. Você tem que ir trabalhar e eu tenho que ir estudar. Então se apronte.
— Não quero. – Disse ele com manha, se enrolando nos cobertores.
— Então fica. Já são sete horas…
— O quê? – Ele já estava de pé, não ligava mais para a dor de cabeça.
— Isso mesmo. Sete horas. Estou indo para a universidade. Até mais.
Foi o primeiro dia que ele chegou atrasado ao trabalho. Depois disso não se importou mais com o horário, até que foi demitido por justa-causa. Sendo assim teve que sair perambulando pela cidade a procura de um novo emprego para ter dinheiro. Custou a encontrar.
— Vamos ver se agora aprende a respeitar o horário! – Eu disse, autoritário.
— Claro. Lá, parece, é mais rigoroso ainda.
E assim continuamos. Às vezes íamos a boates, mas eu passei a tomar mais cuidado com a disposição dele com a bebida. Até que no último ano na faculdade ele se apaixonou.
Ah! O amor… o amor…
Ele amava aquela garota. Seria interessante dizer, eu também, mas não. Eu não a amava. Até porque nossos gostos não eram os mesmo, ainda bem!
O amor passou a deixá-lo mais alegre, feliz, até. O curso acabou. Ele abandonou a universidade para ir trabalhar em uma empresa, eu fiz a pós-graduação.
Anos mais tarde eu recebi um convite, era do casamento de meu colega. Ele se lembrara de mim. Era tão bom estar feliz…
Foi quando o cisco no meu olho me incomodou novamente, eu deveria ir ao oftalmologista. Há quanto tempo eu não me lembrava dele?
Muitos e muitos anos…
O casamento dele seria dentro de um mês, eu teria que fazer compras e me lembrar o que ele gostaria de ganhar. Eu não conhecia a sua noiva, mesmo se fosse a sua primeira namorada, eu apenas havia trocado algumas palavras com ela. O que eu poderia comprar para os dois?
Saí pela cidade. Entrei de loja em loja. Vi coisas que ele realmente iria gostar de ganhar, mas sabia que ele iria ganhar. Eu queria comprar algo que realmente representasse os meus votos para o casal. Foi quando me lembrei…
A lua estava cheia quando cheguei. Era no ponto de ônibus onde havíamos nos conhecido de fato. Eu iria fazer um vídeo caseiro, contando a história de nossa amizade para que a mulher do meu amigo a soubesse do ponto de vista de outra pessoa sem ser a dele.
Comecei filmar. Eu era um narrador nato. Quando cheguei ao local onde fizemos a prova vi o local onde estaria a árvore que deixara o cisco cair em meu olho, esse cisco nunca mais saiu. A árvore não estava ali, no lugar havia uma calçada de concreto.
Continuei a gravação, quando terminei o vídeo voltei para a cidade e comprei uma televisão de plasma, sabia que ele iria gostar. Coloquei o DVD com o filme que eu havia gravado junto do televisor e mandei embrulhar o presente.
O dia do casamento logo chegou. Eu me dirigi para a igreja – com certeza obrigação da esposa, pois ele não era muito ligado a religião – onde se realizaria o casamento. Eu havia vestido um terno preto e estava igual aos outros convidados.
Assim que a noiva entrou e todos os convidados, inclusive eu, nos levantamos quase não a reconheci. Mas era ela mesma, a primeira namorada do meu amigo, mas bonita, porém a mesma.
Meu grande amigo estava no altar, sorrindo, esperando a sua noiva. Quando o padre perguntou se alguém sabia de algo que impedia o casamento eu quase perdi a respiração, da maneira que meu amigo era sem sorte eu pensava que alguém iria aparecer e acabar com o casamento, mas, para a alegria de todos, nada aconteceu.
Depois do casamento veio a festa. Onde eu tive a oportunidade de conversar com ele. A felicidade reinava, mas o cisco me incomodava, o que era aquilo?
Contei para ele que eu havia feito uma surpresa e ficamos a conversar, até que eu resolvi ir para o meu novo apartamento.
Eu estava cansado, pois já estava tarde, cheguei e fui direto para a cama. Não tirei nem o meu terno.
Quando acordei ainda não havia amanhecido, mas eu estava morrendo de sede. O cisco também me incomodava. A chuva ricocheteava o ar lá fora, estava grossa. O vento que passava por algumas frestas uivava feita lobo uivando para a lua cheia.
Fui à cozinha e bebi água, quando voltava para o quarto, vi uma faca sobre a pia.
A faca era de aço inox que brilhava, o cabo de madeira era amarelado, eu a peguei. O aço era frio, eu a olhei, havia aquela curva que cortava e aquela parte reta, a ponta era fina. Apertei o dedo na ponta, doía. Vi também que uma gota saía no lugar em que eu havia espetado a faca. Era tão bonita, a gota e a faca! Larguei-a sobre a pia e comecei a desabotoar o terno, deixando o meu peito à mostra.
Como seria a sensação de uma faca transpassando um coração?


quinta-feira, dezembro 08, 2011

O dia em que a vida errou


R. Lousa Santos

As cortinas eram negras, as luzes estavam apagadas, totalmente apagadas. Ela estava sozinha no palco e não conseguia enxergar nada. A solidão mexia com ela. O palco era imenso, ela podia andar por onde quiser, porém devia tomar cuidado, em algum lugar o palco acabava e vinha o precipício.
Numa cidade do Brasil um casal de jovens casados comemorava.
— Sei que nosso filho será grande. – Disse a mulher.
O marido segurava os exames de comprovação de gravidez da esposa.
— Claro que vai. Quando ele nascer iremos fazer uma festa que terá repercussão mundial, querida. Ninguém ficará sem saber quem é o nosso filho.
Eles se beijam.
No México o jovem empresário estava misturado com os outros colegas de sua classe. Todos vestidos especialmente para a formatura. Agora eles atiravam os capelos para o ar. Podiam dizer que eram executivos.
Seus pais olhavam para ele se divertindo. Em seguida ele percebeu o olhar dos pais e foi abraçá-lo.
— Estou tão feliz. Obrigado, pai, mãe.
Os planos eram imensos. A construção de empresas, sociedades, etc. aquilo era fantástico.
Na Espanha todos os familiares e alguns amigos se reuniram em torno da cama do adolescente que ficara duas semanas em coma, e que já estava quase recebendo alta.
— O médico disse que você poderá sair daqui a duas ou três semanas. – Um homem de barba mal feita.
— Não vejo a hora de voltar para casa. – Disse o adolescente sorrindo.
Na sede da ONU vários representantes de inúmeros países se reuniram para procurar soluções para os problemas que talvez não conseguiam enfrentar:
— O pássaro daquela garotinha voou para longe.
— É impossível dizer para onde ele foi.
— Tudo indica que ele encontrou outros do bando.
— Teremos que comprar outro e dar de presente a ele.
— Isso!
Todos se levantaram e começaram a bater palmas em comemoração pela bela solução encontrada.
No Egito um casal de namorados se beijava.
— Quando vamos nos casar? – A garota perguntou.
— Era eu que devia fazer o pedido. – O namorado respondia sorridente.
— Mas eu não fiz o pedido. Quero saber quando você vai fazer!
— Não sei. Pode demorar muito, pode não demorar.
No Japão a garotinha que passou a vida a cuidar de um lindo canarinho se viu sem ele, pois esquecera a gaiola aberta. O presidente pessoalmente lhe entregara um novo. Mais lindo que o primeiro.
Os olhos da garotinha brilharam imensamente quando viu seu novo amigo.
— Obrigada, obrigada! – Gritava ela em japonês.
O presidente contagiado pela alegria da jovem segurou as mãos da mãe e começou a pular, logo todos estavam juntos, pulando, alegres.
Em algum lugar do mundo dois homens exaustos na cama olhavam um para o outro.
— Se meus amigos descobrirem o que acabei de fazer ficaram bobos.
— Se minha mulher descobrir o que fiz, ela me mata, pelo menos me castra.
Os dois riram. Gargalharam.
Em outro lugar um cientista descobre uma forma de fazer com que as árvores germinem com mais velocidade sem prejudicar o seu desenvolvimento futuro.
Duas mulheres passeavam de mãos dadas pela rua. Elas haviam conseguido adotar o bebê que havia lutado tanto para isso.
Uma criança fumava pela primeira vez uma pedra de oxi.
Físicos aprendiam a controlar a gravidade.
Matemáticos escreviam a fórmula matemática do amor.
O padre rezava sua missa para os fiéis.
Traficantes morriam baleados pela polícia especializada.
No jornal a manchete: Abalos sísmicos sentidos em todo o mundo.
Às três horas e dois minutos o plantão informava:
— Às 3 horas houve um terremoto de baixa intensidade em todo o mundo ao mesmo tempo. Durou menos de minuto, ainda não se sabe o motivo, nem o epicentro. Voltaremos a qualquer hora com mais informações.
Crianças morriam de fome. Pessoas morriam em guerras patrocinadas pelos países de primeiro mundo.
O papa pedia paz.
Seguidores de Gandhi também.
Ladrões davam golpes em pessoas inocentes.
Pessoas inocentes matavam.
Pessoas inocentes morriam.
Pessoas perigosas eram presas.
Políticos roubavam e diziam que eram inocentes, não eram presos.
Um mendigo que encontrou uma moeda no chão foi preso, acusado de roubo.
As pessoas não faziam nada.
A educação era uma questão a parte. Saúde somente para quem tem dinheiro.
— Vamos casar?! – Emoção.
— Ladrão! – Roubo.
— Socorro! – Desespero.
— Meu filho não. – Sofrimento
— Ahhhhhhhhhh! – Prazer
— Viva, viva! – Alegria
— Isso é bom demais. – Diversão
As luzes do palco continuavam apagadas, mesmo assim tudo seguia a sua ordem natural.
O jornal publicava:
“Lei aprova desmatamento na Amazônia.”
“Preço de produtos proveniente de madeira cai.”
“Prêmio Nobel concedido para aquele que tanto defendeu a paz.”
“Amor é uma função linear.”
“Você pensa, ele faz.”
“Robótica alcança recorde.”
“Provado: Deus não existe.”
“Outro terremoto mundial, a interrogação continua.”
“O que será?”
O palco agora sacolejava violentamente.
A garota colocou as mãos, vendando os olhos. Ela lutara tanto para aquilo não acontecer. Agora aquilo acontecia.
A explosão começou no núcleo da Terra e se espalhou, arrastando para si tudo por onde passava.
Longe dali, era possível ver o surgimento de uma nova estrela no espaço…